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Tunelização de lesões de furca

Utilizada em casos pontuais, a tunelização pode se tornar uma grande aliada no tratamento de lesões de furca de grau II e até III. 

O tratamento em túnel (tunelização) é uma técnica cirúrgica que estabelece uma comunicação direta programada entre as faces vestibular e lingual/palatal do dente envolvido com uma lesão de furca, geralmente, de grau III. Tais lesões resultam de uma destruição óssea que faz com que exista uma comunicação natural entre as faces vestibular e lingual/palatal do dente envolvido. Desta forma, ao realizar o exame clínico, a sonda atravessa a região afetada de vestibular para a lingual/palatal. Nestas situações, o dente normalmente é condenado à extração e posterior colocação de implantes.

Contudo, existem algumas lesões de furca de grau III, e até mesmo de grau II, mais avançadas que podem ser tratadas com por meio de uma abordagem cirúrgica mais conservadora. Isto ocorre nos casos em que os resultados da terapia não cirúrgica (raspagem a campo fechado) foram muito positivos, com diminuição severa do grau de mobilidade, melhorando o prognóstico do caso. Nestas situações, pode-se realizar um acesso cirúrgico para aumentar ainda mais a chance de manutenção destes dentes. Esta cirurgia é uma combinação da técnica de raspagem a campo aberto com a cirurgia óssea ressectiva, conhecida como tunelização.

A tunelização vai organizar a comunicação natural que já existe (ou que está próxima de acontecer) entre as faces vestibular e lingual/palatal do dente envolvido por uma lesão de furca de grau II ou III, de maneira que o resultado cicatricial elimine a inflamação. Além disso, o tratamento deve permitir que tanto o profissional quanto o paciente possam controlar o acúmulo de biofilme nestas áreas. Com o descolamento de um retalho de espessura total, as paredes ósseas, bem como as raízes, são expostas e descontaminadas mecânica e quimicamente. Depois, se houver muitas proeminências e espículas ósseas nos defeitos ósseos, estas devem ser minimizadas ou até mesmo removidas com osteotomia e osteoplastia.

Terminados os procedimentos de acesso direto, o retalho deverá ser suturado mais apicalmente, especialmente na área de furca, objetivando deixar exposta ao meio bucal a área de furcação. Esta área será cicatrizada com o tecido gengival recobrindo toda a região operada, e um túnel ligando as faces vestibular e lingual ou palatal se formará como resultado desta cicatrização induzida. Este túnel deverá ser adequadamente higienizado pelo paciente com o uso de instrumentos próprios, como escovas interdentais, irrigadores e fio dental específico. Vale lembrar que a tunelização obtém melhores resultados quando realizada em dentes com troncos radiculares curtos, perdas ósseas intrafurcais largas e raízes altamente divergentes. Pacientes que têm alguma impossibilidade de colocação de implantes dentários também podem ser beneficiados com esta técnica.

A preparação do túnel pode ser realizada apenas quando a dimensão da entrada da furca for larga o suficiente e localizada mais coronariamente, para permitir uma fácil utilização dos dispositivos de limpeza, como as escovas interdentais. Essas restrições anatômicas limitam o uso dessa técnica, tendo sua principal indicação para os primeiros molares inferiores. Contudo, ela também pode ser implementada algumas vezes nos molares superiores, desde que uma das três raízes seja eliminada pelo procedimento de rizectomia, a fim de melhorar a acessibilidade à área de furca.

O preparo em túnel de dentes multirradiculares é uma abordagem cirúrgico-conservadora que tem como objetivo promover o acesso para a limpeza da área de furca pelo paciente. Caso este objetivo não seja alcançado, a técnica estará fadada ao insucesso. Assim, deve-se escolher adequadamente os casos em que a tunelização será empregada, pois, na maioria das vezes, dentes que possuem uma lesão de furca de grau III acabam sendo extraídos e substituídos por implantes.

A seguir, as Figuras 1 a 6 ilustram um caso de tunelização. As Figuras 7 a 10 mostram o acompanhamento do caso.

Leituras complementares

  1. Sanz M, Jepsen K, Eickholz P, Jepsen S. Clinical concepts for regenerative therapy in furcations. Periodontol 2000 2015;68(1):308-32. http://doi.org/10.1111/prd.12081
  1. Graziani F, Karapetsa D, Alonso B, Herrera D. Nonsurgical and surgical treatment of periodontitis: how many options for one disease? Periodontol 2000 2017;75(1):152-88. http://doi.org/10.1111/prd.12201
  1. Carnevale G, Kaldahl WB. Osseous resective surgery. Periodontol 2000 2000;22:59-87. http://doi.org/10.1034/j.1600-0757.2000.2220106.x
  1. Tonetti MS, Prato GP, Cortellini P. Factors affecting the healing response of intrabony defects following guided tissue regeneration and access flap surgery. J Clin Periodontol 1996;23(6):548-56. http://doi.org/10.1111/j.1600-051x.1996.tb01823.x