Equipamento de proteção respiratória (EPR). Quando e como devemos usar?
Respiradores do tipo concha e dobrável, respectivamente. Os dois modelos atendem à necessidade dos profissionais de Odontologia, desde que sejam tipo PFF-2/N95.

Equipamento de proteção respiratória (EPR). Quando e como devemos usar?

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Confira orientações para proteger os especialistas quanto ao uso do equipamento de proteção respiratória.


O respirador é um tipo de equipamento de proteção respiratória (EPR) e um dos principais equipamentos de proteção individual (EPI) no contexto das doenças respiratórias, o que inclui o vírus SARS-CoV-2, agente etiológico da Covid-19. Seu uso é indicado para profissionais de saúde que trabalham com contaminantes biológicos. Desta forma, o uso dos respiradores (N95 ou, no Brasil denominado, PFF-2 pelas autoridades sanitárias) é recomendado para os cirurgiões-dentistas e equipe. Seu uso adequado proporciona segurança ao usuário contra agentes infecciosos presentes em aerossóis. Diante disso, com o objetivo de orientar e proteger os colegas quanto ao uso dos respiradores, algumas considerações são apresentadas a seguir.

Gotículas e aerossóis gerados em ambiente odontológico

Podem medir de 0,001 μm a 10.000 μm. As partículas de aerossóis com diâmetros maiores acima de 100 μm, são chamadas de gotículas e, devido à força gravitacional, são assentadas mais rapidamente nas superfícies em comparação com as partículas menores. Na Odontologia, além da proximidade da equipe profissional com o paciente, o que torna a exposição maior e consequentemente o risco de contaminação laboral, os periféricos utilizados (como a alta rotação, profi, seringa tríplice, ultrassom etc.) comumente geram gotículas e aerossóis durante o seu uso.

Quando estes equipamentos são usados, mesmo que o paciente esteja infectado pelo vírus SARS-CoV-2 de forma assintomática, existe o potencial risco de contaminação do ambiente pelas partículas virais presentes nestas gotículas e aerossóis gerados durante o atendimento odontológico. Diante disto, se faz urgente e necessário o uso adequado dos EPIs, sobretudo do respirador tipo PFF-2/N95.

Qual a diferença entre a máscara cirúrgica e respiradores tipo PFF-2/N95?

A máscara cirúrgica protege contra gotículas e aerossóis acima de 5 μm, mas não promove a vedação necessária para a proteção contra aerossóis, logo não é uma opção totalmente segura para cirurgiões-dentistas. Já os respiradores tipo PFF-2/N95 são indicados para a proteção contra aerossóis abaixo de 5 μm, pois, além do sistema de filtração, promovem a vedação eficiente (desde que utilizados adequadamente).

Como escolher o respirador tipo PFF-2/N95?

Independentemente do modelo, seu uso é indicado tanto para o cirurgião-dentista quanto para a equipe, devido à grande quantidade de gotículas e aerossóis gerados no ambiente odontológico. Existem três modelos de equipamento de proteção respiratória disponíveis no mercado. Utilize conforme disponibilidade.

Respirador tipo PFF-2/N95 com válvula de exalação

Este modelo é utilizado para minimizar odores em ambientes fétidos, pois na válvula de exalação existe um filtro de carvão ativado. Todavia, a válvula não tem função de filtragem porque seu uso visa facilitar a saída do ar exalado. Sendo assim, é contraindicado o seu uso em ambientes clínicos porque, caso o usuário esteja infectado, este pode exalar partículas virais no ambiente. Porém, em tempos de escassez de respiradores, entre a difícil decisão de não usar respirador ou usar o respirador com válvula, é preferível que se faça o uso deste. Nestas situações, alguns profissionais têm utilizado a máscara cirúrgica sobre o respirador com válvula, objetivando aumentar o tempo de vida útil dos respiradores à medida que reduz a exposição dos mesmos às sujidades do ambiente.

Uso de máscara sobre o respirador

Pela falta de recursos e necessidade de prolongar a vida útil do respirador, além de reduzir sua sujidade, a sobreposição com máscara cirúrgica para proteção do respirador contra gotículas tem sido uma estratégia utilizada por alguns profissionais, devendo ser descartada a cada paciente. Nunca utilize a máscara cirúrgica por baixo do respirador, pois interfere em sua vedação.

Posso reaproveitar meu respirador?

Devido ao aumento da demanda causada pela Covid-19, neste momento, devemos alertar que a prática da sua reutilização não é ideal, conforme regulação, mas pode ser uma estratégia útil em caso de recursos escassos e necessidade de reaproveitamento.

Desta forma, alguns órgãos regulatórios nacionais e internacionais informam que o respirador tipo PFF-2/N95 poderá, excepcionalmente, ter seu uso prolongado, mas isto dependerá do seu estado de conservação.

Sempre avalie

• Sua segurança pessoal;
• Risco de contaminação;
• Custo x benefício;
• Disponibilidade do equipamento;
• Recursos do seu consultório;
• Caráter emergencial x rotina;
• Risco de transmissão de cada paciente e procedimento.

Confira aqui as recomendações completas sobre o uso de EPR no e-book produzido por Victor Montalli e a equipe da SLMandic.

Referências
1. Anvisa. Nota técnica GVIMS/GGTES/Anvisa Nº 04/2020.
2. Montalli VAM, Lago F, Czezacki AS, Garcia A, Raeder MTL, Garcez A et al. Orientações em Odontologia sobre proteção respiratória em tempos de covid-19. ISBN: 978-65-86718-01-0.
3. Yorio PL, Fisher EM, Kilinc-Balci FS et al. Planning for epidemics and pandemics: assessing the potential impact of extended use and reuse strategies on respirator usage rates to support supplyand-demand planning efforts. J Int Soc Respir Prot 2020;37(1):52-60.

Victor Montalli
Victor Montalli

Doutor em Ciências Médicas, área de concentração em Patologia – Mestre e pós-doutorado em Patologia bucal, e professor dos cursos de graduação e pós-graduação – SLMandic.