Periodontite e peri-implantite: semelhanças e diferenças
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Periodontite e peri-implantite: semelhanças e diferenças

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Similares e diferentes, periodontite e peri-implantite exigem avaliação de questões anatômicas entre dente e implante.

Periodontite e peri-implantite são similares em muitos aspectos e diferentes em muitos outros. Para compreender melhor suas patogêneses, é necessário avaliar criteriosamente algumas considerações anatômicas entre dente e implante, assim como seus padrões histopatológicos específicos.

A princípio, a constituição do ligamento periodontal e das fibras colágenas horizontais supracrestais ao redor do dente difere da constituição tecidual ao redor dos implantes, o implante possui apenas contato direto com osso e algumas fibras de orientação paralela1. Estes são detalhes importantes que demonstram, por exemplo, a justificativa dos tecidos moles ao redor dos implantes possuírem uma menor resistência durante o exame clínico de sondagem, quando comparado com o dente, determinando números elevados de profundidade de sondagem durante o diagnóstico de saúde e doença peri-implantar2.

A doença periodontal e as doenças peri-implantares (mucosite e peri-implantite) têm como fator etiológico o acúmulo de placa bacteriana associado ao desenvolvimento de desequilíbrio da resposta imunoinflamatória nos tecidos adjacentes do dente ou implante3. Apesar de ambas as doenças possuírem similaridades, tanto na etiologia como em características clínicas, a literatura científica descreve que ambas possuem entidades distintas no aspecto histopatológico da doença4.

Um estudo avaliou, através de biopsias coletadas de 15 humanos, a comparação entre a evolução clínica do acúmulo de placa bacteriana na gengivite e mucosite peri-implantar. A ausência de uma resposta imunoinflamatória foi obtida em até três semanas nos casos de gengivite, porém os resultados na mucosite peri-implantar demonstraram ainda no período de três semanas alguns sítios com uma maior taxa de sangramento à sondagem associado a um número elevado de linfócitos B e T nos tecidos adjacentes ao implante. O controle da placa bacteriana em casos de mucosite peri-implantar deve ser rigoroso, a fim de obter também uma reversibilidade da condição patológica. Porém, ocorre apenas após três semanas, caso contrário a condição da lesão irá progredir para uma peri-implantite5.

Da mesma maneira, outro estudo realizado em 80 humanos, com o objetivo de avaliar as características histopatológicas da periodontite e peri-implantite, demonstrou que a evolução da lesão tanto ao redor de dentes como em implantes resulta em uma perda do tecido de suporte e um largo infiltrado inflamatório do tecido conjuntivo. Todo esse aspecto histopatológico da lesão da peri-implantite apresenta uma peculiaridade em contraste com a periodontite, no qual é possível determinar as extensas densidades de estruturas vasculares, principalmente no tecido conjuntivo dentro do infiltrado inflamatório, o que conclui que as células de defesa envolvidas na resposta imunológica precisam percorrer uma distância maior para atingir o desafio bacteriano ao redor do implante6.

Na periodontite, destaca-se histologicamente um encapsulamento do tecido conjuntivo separado por um infiltrado do tecido conjuntivo da crista alveolar ao redor do dente; na peri-implantite, o infiltrado do tecido conjuntivo demonstra uma extensão para a crista alveolar com o dobro de proporção em alta densidade de osteoclastos e neutrófilos, resultando em uma destruição agressiva e rápida do tecido ósseo de suporte quando comparada com a periodontite7.

Diante de toda a evidência científica afirmando que a peri-implantite é uma lesão de evolução rápida e extensa, vale ressaltar também a importância de avaliar os fatores de risco locais e sistêmicos de cada paciente igualmente, em conjunto com a valorização das consultas de manutenção para garantir o controle da saúde peri-implantar e/ou controle do tratamento da mucosite peri-implantar ou peri-implantite.

Referências
1. Hirooka H, Renvert S. Diagnosis of periimplant disease. Implant Dentistry 2019;28(2):144-9.
2. Schou S, Holmstrup P, Stoltze K, Hjorting-Hansen E, Fiehn NE, Skovgaard LT. Probing around implants and teeth with healthy or inflamed peri-implant mucosa/gingiva: a histologic comparison in cynomolgus monkeys (Macaca fascicularis). Clinical Oral Implants Research 2002;13:113-26.
3. Caton JG, Armitage G, Berglundh T, Chapple ILC, Jepsen S, Kornman KS. A new classification scheme for periodontal and peri-implant diseases and conditions – introduction and key changes from the 1999 classification. J Clin Periodontol 2018;89(1):S1-S8.
4. Salvi GE, Cosgarea R, Sculean A. Prevalence and mechanisms of peri-implant diseases. J Dent Res 2017;96:31-7.
5. Salvi GE, Aglietta M, Eick S, Sculean A, Lang NP, Ramseier CA. Reversibility of experimental peri-implant mucositis compared with experimental gingivitis in humans. Clin Oral Implants Res 2012;23:182-90.
6. Carcuac O, Berglundh T. Composition of human peri-implantitis and periodontitis lesions. J Dental Res 2014;93(11):1083-8.
7. Carcuac O, Abrahamsson I, Alboury JP, Linder E, Larsson L, Berglundh T. Experimental periodontitis and peri-implantitis in dogs. Clin Oral Implants Res 2013;24:363-71.

Coordenação:

Elcio Marcantonio Jr.Elcio Marcantonio Jr.
Professor titular das disciplinas de Periodontia e Implantodontia, e coordenador do curso de especialização em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor colaborador do Ilapeo.
Orcid: 0000-0002-9660-4524.


Autora convidada:

Ísis de Fátima Balderrama
Ísis de Fátima Balderrama
Cirurgiã-dentista – PUC/PR; Especialista em Periodontia e mestra em Reabilitação Oral – FOB/USP; Estágio no Depto. de Periodontia – Universidade de Malmö, Suécia; Doutoranda em Implantodontia – FOAr/Unesp.
Orcid: 0000-0002-8606-9054.

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