O guia cirúrgico para planejamento e instalação de implantes é necessário?

O guia cirúrgico para planejamento e instalação de implantes é necessário?

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Guia cirúrgico: Ivete Sartori aponta os requisitos necessários para que seja possível obter desenho adequado de tecidos moles.

Em um momento em que tanto se fala a respeito de instalação guiada de implantes e seus benefícios, ainda nos deparamos com essa pergunta. Casos que não estão sendo planejados para instalação guiada também precisam ser estudados com todo rigor para que um bom trabalho possa ser apresentado no final. O objetivo de qualquer tratamento reabilitador é a instalação de próteses que se integrem à cavidade oral, que fiquem natural e possam garantir a correta função. Assim, vários fatores foram estudados e é de conhecimento geral os requisitos necessários para que seja possível obter desenho adequado de tecidos moles.

Quando observamos arcadas com perdas dentárias parciais, é necessário avaliar o espaço edêntulo em todas as dimensões. Para isso, um enceramento dos elementos ausentes deve ser realizado respeitando as dimensões dos dentes presentes, tanto no sentido cervicoincisal quanto mesiodistal. Isso pode ser realizado de maneira física, em modelos de gesso, ou utilizando bibliotecas virtuais em modelos virtuais, obtidos por escaneamento intraoral (Figura 1). O escaneamento intraoral tem se mostrado uma ferramenta valiosa, principalmente quando o paciente ainda se encontra em tratamento ortodôntico, como no caso aqui utilizado.

A avaliação do enceramento deve ser realizada utilizando os critérios conhecidos em relação à posição ideal dos implantes. Assim, na avaliação pela vista oclusal devem ser feitas as medidas horizontais. Analisa-se a distância do dente vizinho ao centro do espaço planejado para o primeiro implante. Esse espaço deve ser de pelo menos 3,5 mm. Essa medida, com base na anatomia dentária, garantirá os 3 mm recomendados como distância mínima da raiz do dente vizinho à parede do implante, quando a análise é feita em radiografias periapicais realizadas pela técnica do paralelismo. De centro a centro de implantes contíguos, o espaço deve ser de pelo menos 7 mm, sendo considerados aceitáveis 6 mm se o implante que está sendo planejado for de junção cônica interna, tipo cone-morse (Figura 2). Caso o espaço não seja suficiente, medidas devem ser tomadas. No caso aqui utilizado, se as medidas não estivessem adequadas, seria fácil realizar uma comunicação com o ortodontista, uma vez que o caso está em tratamento.

A análise vestibular também é muito importante. Como as coroas foram desenhadas seguindo a altura cervicoincisal dos dentes presentes, essa análise permite identificar a necessidade de procedimentos em tecidos moles. Se há espaço entre o desenho dental e o contorno do rebordo, compreende-se a necessidade de ganho tecidual. Deve-se também avaliar a relação do contorno dentário na face vestibular com o contorno do rebordo (Figura 3). Ganhos teciduais no sentido horizontal também podem se mostrar necessários. É importante lembrar que a relação do colo da coroa com o tecido mole é de extrema importância para a correta estética e também para que essas áreas não atuem na impacção de alimentos. O exame clínico complementará a análise em relação à técnica indicada.

Após análise e aprovação, será gerado o arquivo do guia (Figura 4) que poderá ser impresso. Esse cuidado em relação ao estudo do caso evitará que problemas sejam identificados em fases mais avançadas do tratamento, nas quais a resolução pode se mostrar extremamente mais complexa ou até impossível.