Fluxo digital na Implantodontia: ainda temos muito para entender

Fluxo digital na Implantodontia: ainda temos muito para entender

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Com a evolução da Odontologia digital, novos recursos têm sido utilizados com a finalidade de planejar, instalar e reabilitar pacientes.

Com o aumento da confiança e credibilidade na osseointegração, áreas edêntulas ou dentes indicados à extração podem ser reabilitados. Quando estes procedimentos são necessários em área estética, o grande desafio passou a ser a obtenção de resoluções protéticas funcionais e esteticamente agradáveis.

Vários aspectos devem ser respeitados para que uma restauração protética apresente características naturais, como forma, textura e cor, tornando-a imperceptível ao observador. O correto posicionamento tridimensional do implante, uma condição gengival peri-implantar que permita a determinação de um perfil de emergência adequado, e a transmissão dessas características para os modelos de trabalho através de técnicas de moldagem específicas permitirão ao técnico em prótese dentária confeccionar restaurações protéticas convincentes.

Com a evolução da Odontologia digital, novos recursos têm sido utilizados com a finalidade de planejar, instalar e reabilitar pacientes através de implantes dentários e próteses sobre implantes.

A possibilidade de utilização de imagens tridimensionais (3D) oriundas de tomografias computadorizadas, escaneamentos dos arcos dentários e o uso de fotografias (ou até mesmo do escaneamento da face) em softwares CAD têm permitido planejamentos mais precisos e a confecção de guias cirúrgicos utilizando o planejamento reverso. Ou seja, a instalação do implante é realizada a partir do desenho e posicionamento da prótese que se deseja instalar futuramente.

Uma vez que o implante está instalado, seu posicionamento é transmitido para o ambiente virtual utilizando as técnicas protéticas do fluxo digital através do pilar de escaneamento, também conhecido como scanbody, scanpost, Jig, entre outras denominações (Figura 1). Durante essa etapa, além da posição exata do implante, torna-se importante a transmissão da arquitetura gengival herdada do dente recém-extraído ou obtida através de cicatrizadores personalizados e restaurações provisórias (Figura 2). A reprodução do perfil de emergência supraimplantar, região de transição da plataforma do implante à margem gengival, é muito importante para a estética dental e do tecido mole peri-implantar (Figura 3).

Em um estudo in vitro recentemente realizado, que resultou na defesa da tese de doutorado do aluno Antônio Sérgio Netto Valladão, orientado pelo Prof. Dr. Carlos Eduardo Francischone, foi comparada a capacidade de diferentes scanners intraorais na reprodução de diferentes perfis de emergência supraimplantares. O trabalho, que está em fase de publicação, oferece relevantes informações sobre os modelos de scanner utilizados. Além disso, ele sugere novos desenhos de pilares de escaneamento para facilitar a leitura do perfil de emergência, além de apresentar uma metodologia para esse tipo de análise, que ainda é escasso na literatura.

Tal metodologia é restrita e específica para análise da reprodução dos perfis de emergência (Figura 4), mas outros aspectos ainda precisam ser mais estudados, como o uso dos pilares protéticos em ambiente digital, o desenho das restaurações protéticas em CAD, a impressão de modelos de trabalho precisos com posicionamento de análogos específicos, os processos de fresagem dos materiais, entre outros (Figura 5). Ou seja, temos um terreno fértil para as próximas pesquisas no campo da Odontologia Digital.

Conteúdo disponibilizado pelo corpo docente da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, sob coordenação do Prof. Dr. Marcelo Napimoga.