Aspirado de medula óssea intraoral: relato de caso

Aspirado de medula óssea intraoral: relato de caso

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Guaracilei Maciel Vidigal Júnior mostra como é possível garantir uma extração bem-sucedida de aspirado de medula óssea intraoral.

Nas colunas anteriores, que você pode ler aqui e aqui, procuramos abordar as bases biológicas da terapia celular para sua aplicação na regeneração óssea. No entanto, como é possível garantir uma extração bem-sucedida de aspirado de medula óssea (AMO) intraoral para uso odontológico?

Um estudo mostrou resultados superiores1 em alvéolos de extração tratados com AMO, quando comparados aos alvéolos preenchidos com o coágulo sanguíneo. A crista ilíaca é considerada a primeira opção de escolha para obtenção do AMO como fonte das terapias celulares nos tratamentos de defeitos ósseos em Medicina2.

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O uso desta forma de tratamento na Odontologia, comparativamente à Medicina, é pouco frequente. A explicação pode estar em alguns fatores, como: falta de local apropriado para acesso à crista ilíaca nos consultórios odontológicos; necessidade de um segundo profissional (médico, ortopedista) para realizar o procedimento; e aumento dos custos do tratamento.

O uso de uma fonte para obtenção intraoral do AMO, além de eliminar as desvantagens já citadas, poderia trazer as seguintes vantagens: cirurgia em um único sítio cirúrgico – a cavidade oral, sem necessidade de procedimento em área extraoral; AMO colhido pelo próprio dentista; a área doadora, a tuberosidade, é acessada através de um procedimento minimamente invasivo, com uma agulha especial com diâmetro de 2 mm; otimização de enxertos aloplásticos, alógenos e xenógenos, fornecendo células e, consequentemente, dando-lhes a capacidade de osteoindução e osteogênese.

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A tuberosidade é a área intraoral de eleição para obtenção do AMO no tratamento dos defeitos ósseos alveolares, comparativamente pequenos aos defeitos tratados em Ortopedia. Nesta área, encontra-se o chamado osso tipo 4, caracterizado pela presença de amplos espaços medulares3. Nesta região, sem a presença dos terceiros molares, é possível obter um aspirado de 0,5 mL – suficiente para preencher o alvéolo dos dentes unirradiculares4.

Segundo um estudo, é provável que a função das células-tronco seja regulada pelo arcabouço nativo5. Desta forma, a associação desta alternativa terapêutica com a reconstrução alveolar proteticamente guiada (RAPG) pode potencializar os resultados da reconstrução de defeitos ósseos alveolares. Além disso, esta área já demonstrou seu elevado potencial osteogênico em cirurgias de enxertos ósseos em bloco sem necessitar de fixações com parafusos, como na reconstrução dentoalveolar imediata6, e em cirurgias de levantamento de seio maxilar sem precisar de biomateriais, somente deixando o espaço vazio, levantando a membrana do seio e mantendo-a elevada com os implantes7.

Referências
1. Pelegrine AA, Costa CES, Correa MEP, Marques Jr. JFC. Clinical and histomorphometric evaluation of extraction sockets treated with an autologous bone marrow graft. Clin Oral Implants Res 2010;21(5):535-42.
2. Piuzzi NS, Mantripragada VP, Sumski A, Selvam S, Boehm C, Muschler GF. Bone marrow-derived cellular therapies in orthopaedics. JBJS Rev 2018,6(11):e4.
3. Lekholm U, Zarb GA. Patient selection and preparation. In: Brånemark P-I, Zarb GA, Albrektsson T, editors. Tissue integrated prostheses: osseointegration in clinical dentistry. Chicago: Quintessence, 1985. p.199-210.
4. Thousand J, Datar J, Font K, Powell CA. A root volume study of the adult dentition for ridge preservation purposes. Gen Dent 2017;65(5):21-3.
5. Matsushita Y, Ono W, Ono N. Skeletal stem cells for bone development and repair. Curr Osteoporos Rep 2020,18(3):189-98.
6. Rosa JCM. Restauração dentoalveolar imediata. São Paulo: Santos, 2010.
7. Cricchio G, Sennerby L, Lundgren S. Sinus bone formation and implant survival after sinus membrane elevation and implant placement: a 1- to 6-year follow-up study. Clin Oral Implants Res 2011;22(10):1200-12.