Regeneração periodontal em defeitos intraósseos – fatores a considerar previamente à cirurgia

Regeneração periodontal em defeitos intraósseos – fatores a considerar previamente à cirurgia

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Diogo Viegas e convidados listam alguns dos fatores relacionados com os defeitos intraósseos e citam quais são as estratégias adequadas. 

O tratamento regenerador dos defeitos intraósseos periodontais é estudado há mais de 40 anos e é aplicado com o intuito de melhorar o prognóstico dentário, tanto a curto como a longo prazo. A presença de bolsas periodontais profundas associadas a defeitos intraósseos profundos apresenta-se como um desafio clínico, e a maior parte dos autores considera que os dentes com estas características apresentam um prognóstico questionável ou mesmo ruim1.

Há vários fatores importantes a considerar para tornar o resultado do tratamento regenerador mais previsível. No que diz respeito ao paciente, o mau controle de placa bacteriana, os altos níveis de hemorragia à sondagem2, as altas contagens de patógenos periodontais específicos3 e os hábitos tabágicos (4) devem ser avaliados e controlados.

Dentro dos fatores relacionados com o defeito, o número de paredes residuais presentes (Figura 1) parece influenciar nos resultados5 do tratamento regenerador, sendo que quanto mais paredes estiverem presentes, mais previsível é o resultado, principalmente quando os materiais utilizados não conferem estabilidade dimensional. Anteriormente, pensava-se que a profundidade do defeito influenciava na quantidade de ganho de inserção. No entanto, em um estudo multicêntrico, verificou-se que defeitos mais ou menos profundos têm o mesmo potencial de regeneração6.

Outro fator a ser considerado é o ângulo radiográfico que é estabelecido entre o defeito e o longo eixo do dente (Figura 2), sendo que, quando o ângulo radiográfico é inferior a 25°, há um ganho de inserção de 1,6 mm em média, comparativamente aos casos em que este ângulo é superior a 37°7.Outro fator a ser considerado é o ângulo radiográfico que é estabelecido entre o defeito e o longo eixo do dente (Figura 2), sendo que, quando o ângulo radiográfico é inferior a 25°, há um ganho de inserção de 1,6 mm em média, comparativamente aos casos em que este ângulo é superior a 37°7.

Em relação aos fatores relacionados ao elemento dental envolvido no procedimento, devemos avaliar a sua mobilidade de forma que, quando superior ao grau I da classificação de Miller (1950), está indicada a realização de uma férula (prévia ao tratamento regenerador)8, Figura 3. O estado endodôntico também desempenha um papel relevante. De acordo com o conhecimento atual, dentes vitais ou tratados endodonticamente de forma adequada mostram maior previsibilidade em relação aos resultados do tratamento regenerador9 (Figura 4).

Ao longo dos anos, têm sido apresentadas diferentes técnicas em combinação com diferentes tipos de materiais regeneradores para o tratamento dos defeitos intraósseos. No entanto, a estratégia clínica pré-cirúrgica tem passado sempre por reconhecer tais fatores, de forma a tornar o resultado o mais previsível possível.

Referências
1. Kwok V, Caton JG. Commentary: prognosis revisited: a system for assigning periodontal prognosis. J Periodontol 2007;78(11):2063-71.
2. Machtei EE, Cho MI, Dunford R, Norderyd J, Zambon JJ, Genco RJ. Clinical, microbiological, and histological factors which influence the success of regenerative periodontal therapy. J Periodontol 1994;65(2):154-61.
3. Heitz-Mayfield L, Tonetti MS, Cortellini P, Lang NP. Microbial colonization patterns predict the outcomes of surgical treatment of intrabony defects. J Clin Periodontol 2006;33(1):62-8.
4. Tonetti MS, Pini-Prato G, Cortellini P. Effect of cigarette smoking on periodontal healing following GTR in infrabony defects. A preliminary retrospective study. J Clin Periodontol 1995;22(3):229-34.
5. Selvig KA, Kersten BG, Wikesjö UM. Surgical treatment of intrabony periodontal defects using expanded polytetrafluoroethylene barrier membranes: influence of defect configuration on healing response. J Periodontol 1993;64(8):730-3.
6. Cortellini P, Carnevale G, Sanz M, Tonetti MS. Treatment of deep and shallow intrabony defects. A multicenter randomized controlled clinical trial. J Clin Periodontol 1998;25(12):981-7.
7. Cortellini P, Tonetti MS. Clinical concepts for regenerative therapy in intrabony defects. Periodontol 2000 2015;68(1):282-307.
8. Cortellini P, Tonetti MS, Lang NP, Suvan JE, Zucchelli G, Vangsted T et al. The simplified papilla preservation flap in the regenerative treatment of deep intrabony defects: clinical outcomes and postoperative morbidity. J Periodontol 2001;72(12):1702-12.
9. Cortellini P, Tonetti MS. Evaluation of the effect of tooth vitality on regenerative outcomes in infrabony defects. J Clin Periodontol 2001;28(7):672-9.