A instalação de próteses totais pode se aproveitar de técnicas diferentes para obter-se resultados promissores em pacientes onde o tratamento não é recomendado. Aqui, a Ivete Sartori discorre sobre o tema.
A substituição de próteses totais mucossuportadas mandibulares por próteses fixas implantossuportadas do tipo híbridas (protocolo Brånemark) traz benefícios já bastante comprovados e inquestionáveis. Porém, em nosso consultório, todos temos pacientes usuários de próteses totais duplas que não podem se submeter ao tratamento, seja por limitação financeira ou de saúde geral, e que manifestam dificuldades com o uso da prótese inferior.
Como lidar com esses casos? Simplesmente não oferecer outro tipo de tratamento até que consigam realizar um protocolo inferior? Mesmo sabendo que alguns jamais terão condições de fazer o procedimento?
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A instalação de implantes entre forâmens mentuais para melhorar a retenção e a estabilidade da prótese é muito comprovada e pode ser um procedimento eficiente e de baixo custo, realizado em carga imediata, desde que bem executado. Também pode ser encarado como um tratamento inicial, uma vez que mais implantes poderão ser instalados na sequência, caso uma prótese fixa seja desejada.
Para que se possa obter êxito no procedimento, é importante que o paciente já esteja reabilitado com um par de próteses totais instaladas corretamente, obedecendo aos limites da área chapeável e reabilitando a função e a estética, e em uso. Deve-se compreender que os implantes nessa indicação funcionarão como retentores apenas, o aparelho seguirá sendo mucossuportado. Assim, próteses realizadas sem obedecer aos limites da área chapeável ou sem as condições corretas de reabilitação oclusal não mostrarão bons resultados.
Na técnica, observa-se a disponibilidade óssea em radiografia panorâmica e/ou tomografia, podendo-se usar cones de guta-percha colados à prótese nas posições de interesse para a instalação dos dois implantes (Figura 1), para realizar o exame. A análise dos cones na radiografia panorâmica (Figura 2) permitirá o estudo das distâncias entre eles e os forâmens mentuais. Esse cuidado é sempre indicado para garantir a distância para possível instalação de mais implantes no futuro, caso se opte por uma prótese fixa.
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Após a confirmação, a prótese é perfurada na parte lingual e funcionará como guia para fresagem e instalação dos implantes (Figura 3). Realiza-se sempre incisões muito pequenas nessa técnica.
Após a fresagem, os implantes são instalados buscando-se estabilidade primária adequada (igual ou maior do que 45 Ncm). Escolhe-se os componentes protéticos (Figura 4), aplica-se o torque recomendado e faz-se a captura dos componentes de retenção na prótese em boca, fechando os orifícios. O paciente recebe as instruções para higienização, instalação e remoção da prótese, e os medicamentos para uso no pós-operatório. Após sete a dez dias, é realizada a remoção das suturas.
A paciente cujo tratamento é mostrado a seguir estava sob controle clínico há 15 meses no momento em que esse texto foi produzido. Ela apresenta alto grau de satisfação com o comportamento da prótese. Nossa experiência com essa técnica de instalação de implantes e ativação imediata em pacientes já usuários da prótese total é extremamente positiva, o que precisa ser avaliado é o comparativo do paciente enquanto usuário de prótese total mandibular e após, usando a overdenture.
A decisão profissional pode melhorar muito a qualidade de vida dessas pessoas.
Caso clínico realizado no curso de Aperfeiçoamento em Implantodontia da APCD Bauru.
Aluna: Simone Márcia Justo Innocenti.
Coordenadora do curso: Dra. Elisa Mattias Sartori.

Mestra e doutora em Reabilitação Oral – Forp/USP; Professora dos cursos de especialização em Implantodontia – Fundecto/ USP, dos cursos de mestrado e doutorado da Faculdade Ilapeo, dos cursos de aperfeiçoamento em Implantodontia da APCD (Bauru) e da Clínica Mollaris, em Portugal.
Orcid: 0000-0003-3928-9430.