Moldagem digital e convencional: por que não as duas?

Moldagem digital e convencional: por que não as duas?

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Editorial: a migração para a Odontologia digital será gradativa e trabalhosa, mas inevitável. Portanto, é essencial aprender a dominar as duas técnicas de moldagem.

Toda reabilitação oral bem feita começa com uma boa moldagem. Podemos dizer, sem medo de errar, que trata-se de uma das fases mais importantes de qualquer tratamento – e talvez seja a mais importante de todas.

Com a revolução digital que atropelou quase todos os setores da sociedade, a Odontologia também tremeu em suas bases quando os primeiros scanners chegaram ao mercado. As páginas da ImplantNews registraram fartamente esse fenômeno, em inúmeros artigos e matérias publicados principalmente na PróteseNews, ImplantNewsPerio e PerioNews.

No início, muitos profissionais adotaram uma postura negacionista, dizendo que a nova tecnologia nunca superaria os métodos tradicionais. Aos poucos, com a publicação de inúmeros estudos comparando as técnicas digitais e convencionais, esse argumento foi caindo por terra. Negar a tecnologia é quase sempre um erro.

No outro extremo, também havia uma pressão enorme por um rompimento brusco com o passado. Muitos passaram a repetir esse discurso sistematicamente, quase como uma militância cega pela Odontologia digital. Diziam que os processos analógicos eram peças de museu e que os profissionais que não aderissem urgentemente à tecnologia seriam engolidos pelo mercado. Já se passaram alguns anos desde então e, até agora, esse fenômeno ainda não pode ser visto na prática.

Sim, é verdade que a tecnologia digital avança progressivamente na Odontologia, conquistando cada vez mais profissionais, mas o fato é que ainda estamos longe de substituir completamente as técnicas tradicionais. E essa afirmação vale não só para o Brasil, onde o acesso à tecnologia é mais difícil por conta de uma moeda fraca e economia instável, mas também para os países mais ricos. Além disso, devemos lembrar que, mesmo para a maioria dos profissionais que já digitalizaram seus processos, parte de seus trabalhos ainda é feita com técnicas analógicas.

Trocando em miúdos, a moldagem digital proporciona inúmeras vantagens em termos de rapidez, precisão e economia de materiais, mas isso não significa que a Odontologia vai migrar automaticamente para os scanners, do dia para a noite. Centenas de milhares de profissionais precisam ser convencidos e treinados. Na mesma medida, equipamentos precisam ser disponibilizados por aquisição ou aluguel em todo o País. Coloque também nessa conta os milhares de laboratórios que ainda precisam redesenhar seus processos, treinar sua equipe e comprar computadores potentes, softwares e fresadoras.

A migração para a Odontologia digital será gradativa e trabalhosa, mas devemos concordar também que será inevitável. Portanto, se você deseja ser um bom profissional, aprenda a dominar as duas técnicas de moldagem. Dessa forma, você sempre estará preparado para tirar o melhor resultado em cada situação clínica.