Desenvolvimento de um novo material para confecção de supraestruturas de próteses tipo protocolo

Desenvolvimento de um novo material para confecção de supraestruturas de próteses tipo protocolo

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Estudos da São Leopoldo Mandic, com a colaboração do Implar, resultaram em um novo material, apto a ser empregado na confecção de infraestruturas de próteses tipo protocolo. 

A reabilitação de pacientes edêntulos é dependente de múltiplos fatores para alcançar o sucesso. A prótese tipo protocolo, devido ao arranjo poliédrico e a união rígida, apresenta aspectos favoráveis quanto à biomecânica, o que favorece a distribuição das cargas oclusais. No entanto, seu sucesso está vinculado à confecção imediata ou o mais rápido possível de uma barra passiva para conectar os implantes, o que promove uma estabilização secundária no equilíbrio do sistema prótese-implante1.

As ligas de Co-Cr e Ni-Cr são comumente utilizadas na confecção dessas próteses implantossuportadas. Ambas possuem módulo de elasticidade alto e, consequentemente, pouca capacidade de absorção e dissipação das tensões que, dessa forma, incidem diretamente sobre os implantes, aumentando o risco de perdas2. De modo geral, as ligas metálicas, apesar de boa resistência à fratura e ao desgaste, apresentam limitações estéticas e biológicas3.

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Na busca por um melhor comportamento mecânico para as próteses implantossuportadas, materiais e técnicas continuam sendo propostos, já que o número de edêntulos ainda é muito elevado na maioria dos países. No intuito de substituir a supraestrutura metálica, novos materiais já estão disponíveis, dentre eles a zircônia4, a fibra de vidro5, a fibra de carbono6 e o poli-éter-éter-cetona (PEEK)7. Dentro desse contexto, existe uma tendência mundial em substituir o metal por materiais alternativos, o que também está ocorrendo na área de saúde. Dentre os possíveis substitutos do metal, os polímeros se destacam.

Uma série de estudos desenvolvidos na faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, com a colaboração do hospital odontológico Implar (www.implar.com.br@implaroficial), resultou em uma nova possibilidade para reabilitar os desdentados totais. O estudo avaliou o desempenho mecânico de um novo material (Patente, 2019. Protocolo Inpi: BR102019 027443 3)8, composto de resina epóxica, fibras de carbono plain weave e nanotubos de carbono de paredes múltiplas, apto a ser empregado na confecção de infraestruturas de próteses tipo protocolo pelo sistema CAD/CAM. As Figuras 1 e 2 mostram o material e a usinagem da infraestrutura empregada na confecção das próteses totais fixas sobre implantes (protocolo). Nesse estudo também foi avaliado o desempenho de uma outra novidade empregada na confecção das infraestruturas da referida modalidade protética, o CCRE, que é um cilindro de titânio com roscas externas ao corpo (Patente, 2019. Protocolo Inpi: BR102015 009893 6)9. O CCRE pode ser observado na Figura 3.

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De acordo com os pesquisadores envolvidos*, a combinação entre o nanopolímero e o CCRE pode redirecionar as atuais técnicas empregadas na reabilitação dos desdentados totais. O uso do CAD/CAM, do nanopolímero e do CCRE proporciona próteses precisas, passivas, leves e que podem ser confeccionadas em tempo reduzido com baixo custo (Figuras 4 a 6). Esse método foi amplamente testado: por simulação pelo método dos elementos finitos, testes de flexão, testes de compressão, união com diferentes tipos de polímeros e testes de biocompatibilidade. Os resultados foram positivos em todo o processo, viabilizando a técnica para uso clínico.

* Baseado na linha de pesquisa do mestrado profissional sob coordenação do Prof. Dr. Sérgio Cândido Dias.

Referências
1. Brånemark P-I, Grondahl K, Ohrnell LO, Nilsson P, Petruson B, Svensson B et al. Zygoma fixture in the management of advanced atrophy of the maxilla: technique and long-term results. Scand J Plast Reconst Surg Hand Surg 2004;38(2):70-85.
2. Najeeb S, Khurshid Z, Pekka Matinlinna J, Siddiqui F, Mohammad Nassani Z et al. Nanomodified peek dental implants: bioactive composites and surface modification – a review. Int J Dent 2015;2015:381759.
3. Albrektsson T, Canullo L, Cochran D, De Bruyn H. “Peri- Implantitis”: a complication of a foreign body or a man-made “disease”. Facts and Faction. Clin Implant Dent Relat Res 2016;18(4):840-9.
4. Monich PR. Desenvolvimento de compositos de PEEK/NASF e de PEEK/LZSA para uso em reabilitação oral [dissertação]. Santa Catarina: Universidade Federal de Santa Catarina, 2016.
5. Zaparolli D, Peixoto RF, Pupim D, Macedo AP, Toniollo MB et al. Photoelastic analysis of mandibular full-arch implant-supported fixed dentures made with different bar materials and manufacturing techniques. Mater Sci Eng C Mater Biol Appl 2017;81:144-7.
6. Menini M, Pesce P, Bevilacqua M, Pera F, Tealdo T, Barberis F et al. Effect of framework in an implant-supported full-arch fixed prosthesis: 3D finite element analysis. Int J Prosthodont 2015;28(6):627-30.
7. Najeeb S, Zafar MS, Khurshid Z, Siddiqui F. Applications of polyetheretherketone (PEEK) in oral implantology and prosthodontics. J Prosthodont Res 2016;60(1):12-9.
8. Santos HRB, Avila GB, Carvalho GAP, Ramos Elimario V, Franco Aline BG et al. Biomechanical behavior of tooth-supported fixed partial prostheses components with two different infrastructures: metal and polyether ether ketone (Peek). Oral Health and Dent Manag 2017;18.
9. Avila GB et al. Analysis of mechanical behavior of protocol-type prosthesis produced in modified polymers with carbon nanotubes. OHDM 2019;18(5).

Conteúdo disponibilizado pelo corpo docente da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, sob coordenação do Prof. Dr. Marcelo Napimoga.