Barbell Technique: um novo conceito em reconstrução óssea

Barbell Technique: um novo conceito em reconstrução óssea

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Barbell Technique traz um novo conceito em reconstrução óssea baseado na avaliação crítica do defeito, o que contribui para a obtenção de resultados otimizados.

Atualmente, existe um consenso na literatura em relação ao processo de reabsorção alveolar e à perda de volume dos alvéolos em um curto período de tempo pós-exodontia, o que pode prejudicar a instalação dos implantes e o resultado final do tratamento. Entretanto, é usual vermos estudos que avaliam o volume como um todo, ou que fazem avaliações lineares, categorizando os defeitos somente em horizontais ou verticais.

Diante desse cenário, os pesquisadores André Pelegrine e Luís Macedo, da São Leopoldo Mandic, decidiram reavaliar criticamente esses estudos e uma série de casos clínicos conduzidos pela equipe, evidenciando que boa parte das deficiências horizontais apresenta um componente de perda tecidual bidirecional. Portanto, além da perda vestibular, também há uma perda tecidual significativa palatina ou lingual (cerca de 35% da perda vestibular em maxila anterior) em uma grande quantidade dos casos. Com isso, a equipe de pesquisadores passou também a categorizar os defeitos horizontais em unidirecionais ou bidirecionais.

A Barbell Technique surgiu a partir da observação dos pesquisadores da SLMandic diante da necessidade de se reconstruir muitos defeitos horizontais de forma bidirecional, ou seja, aumentar o volume ósseo no sentido vestibular e no sentido palatino/lingual. Nestas situações, uma reconstrução feita apenas pelo aspecto vestibular certamente resultaria em implantes posicionados incorretamente (vestibularizados). O termo Barbell, que significa “haltere”, está relacionado com o desenho do dispositivo, composto por um parafuso de titânio, que transpassa o tecido ósseo do leito receptor de vestibular para palatino/lingual, e duas cápsulas em Peek (poliéter etereketano) que se encaixam em ambos os lados do parafuso, resultando justamente em um aspecto de haltere (Figuras 1 e 2).

Ao se refletir sobre as técnicas de reconstruções dos defeitos que demandam enxertia aposicional, torna-se patente que o uso de blocos ósseos tem diminuído significativamente. Isso tem acontecido em virtude da ausência de produtos comercialmente disponíveis que tenham suporte científico para serem usados nas grandes reconstruções (defeitos críticos com deficiência de osso medular).

Como consequência, resta a alternativa do enxerto ósseo autógeno que, apesar dos excelentes resultados, eleva a morbidade do tratamento em vista do procedimento invasivo necessário em região doadora. Soma-se a esse argumento o fato de que um bloco ósseo dificilmente é fixado por palatino/lingual. Além disso, a vascularização e incorporação de blocos ósseos são mais lentas e algumas vezes incompletas. Por essas razões, existe uma forte tendência nos últimos anos para o uso de materiais particulados.

Os enxertos particulados, por sua vez, têm a desvantagem de não serem estruturados e, portanto, nos casos de enxertia aposicional, demandam o uso de algum dispositivo que impeça a compressão tecidual sobre os mesmos. Sabe-se que existe uma contração significativa dos tecidos durante as fases iniciais de reparação dos enxertos, levando à compressão na área enxertada, o que normalmente promove o deslocamento de partículas do material utilizado e, consequentemente, perda do volume enxertado. Essa compressão é mais elevada em regiões que sofrem ação muscular potente, como maxilas anteriores e mandíbulas posteriores. No caso da técnica da tenda (tent pole technique), são utilizados parafusos fixados ao leito receptor a fim de manter o espaço para formação óssea, sustentando os tecidos moles. Entretanto, para evitar o deslocamento do material de enxertia, vários parafusos são necessários e a técnica é preconizada somente para aumentos unidirecionais, uma vez que há dificuldade técnica em instalar parafusos pelo lado lingual/palatino.

No caso da Sausage Technique, a estabilização do material particulado se dá pela fixação da membrana de colágeno tensionada com o auxílio de tachinhas de titânio. É importante salientar que a técnica depende diretamente da membrana utilizada, pois existem poucas membranas no mercado que apresentam elasticidade sem se romper. Ainda assim, há dificuldade técnica em colocar, pelo menos, seis tachinhas para estabilização do material, conforme preconizado. Dificuldade essa exacerbada com a demanda para instalação de dispositivos pelo lado lingual/palatino.

Conforme evidenciado em uma recente publicação dos pesquisadores da SLMandic no Journal of Oral Implantology (vide artigo associado ao QR code), a Barbell Technique contempla um design idealizado para descompressão tecidual, ou seja, as cápsulas em Peek mantêm os tecidos em posição, evitando o deslocamento das partículas do enxerto. Com isso, não existe demanda para acessórios de fixação de membrana e possibilita-se o uso de um número reduzido de parafusos, facilitando a execução da técnica.

Além disso, o desenho do dispositivo permite a reconstrução óssea em qualquer tipo de enxertia aposicional, seja ela horizontal bidirecional (normalmente, com o uso de parafuso maior, com duas cápsulas em Peek) e horizontal unidirecional ou vertical (normalmente, com o uso de um parafuso menor, com apenas uma cápsula em Peek). Isso resulta em grande versatilidade para reconstrução dos diferentes defeitos ósseos com demanda aposicional.

Dessa forma, a Barbell Technique traz um novo conceito em reconstrução óssea baseado na avaliação crítica do defeito, permitindo reconstruir o tecido ósseo de forma mais compatível com a biologia, o que contribui para a obtenção de resultados otimizados.

Mais conteúdo on-line:

Pelegrine AA, Macedo LGS, Aloise AC, Moy PK. Barbell TechniqueTM: a novel approach for bidirectional bone augmentation. Technical Note. J Oral Implantol 2020 (DOI:10.1563/aaidjoi-D-19-00323). Online ahead of print.
Confira o artigo original aqui.

Conteúdo disponibilizado pelo corpo docente da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, sob coordenação do Prof. Dr. Marcelo Napimoga.