Avaliação da estabilidade de implantes: existem diretrizes?

Avaliação da estabilidade de implantes: existem diretrizes?

Compartilhar

Pesquisadores da SL Mandic apresentam duas pesquisas sobre a verificação da estabilidade de implantes por meio de frequência de ressonância.

A utilização de equipamentos para verificação da estabilidade dos implantes osseointegráveis por meio da análise de frequência de ressonância vem se tornando cada vez mais rotineira na prática clínica.

Para possibilitar a mensuração da estabilidade, um pulso magnético emitido pelo aparelho excita um transdutor (previamente acoplado ao implante) e o equipamento detecta a vibração que se segue. Quanto maior for a vibração detectada, menor é a estabilidade do implante e vice-versa.

Por ser a única ferramenta que efetivamente mensura a estabilidade dos implantes, há alguns anos este tipo de dispositivo se tornou praticamente obrigatório em pesquisas clínicas que visam efetuar inferências com relação à osseointegração. Isso pode ser facilmente verificado, por exemplo, ao revisar a literatura dos últimos dez anos com relação à validação de novos tratamentos de superfícies de implantes por meio de pesquisas clínicas em humanos.

No entanto, este cenário começou a ser repaginado em 2018, quando pesquisadores da São Leopoldo Mandic, em parceria com colegas da Universidade da Califórnia (Ucla) e da Universidade Católica de Murcia (Ucam), especularam que a ausência de um padrão na forma de apertar os transdutores sobre os implantes poderia repercutir em falta de acurácia nas mensurações de estabilidade.

Para se testar essa hipótese, a então aluna do curso de mestrado profissionalizante em Implantodontia Débora Barella Salatti, orientada pelo Prof. Dr. André Antonio Pelegrine, desenvolveu um estudo in vitro. Um corpo-de-prova com densidade controlada recebeu 100 implantes instalados de forma padronizada, os quais foram divididos em dez grupos com dez implantes cada. Transdutores do equipamento para análise de frequência de ressonância Osstell foram adaptados sobre os implantes, sendo que os torques de inserção dos transdutores foram sendo aumentados gradativamente de um grupo para outro (por meio do uso de um torquímetro digital). Na sequência, o nível de estabilidade dos implantes foi medido com o auxílio do equipamento Osstell (Figuras 1 a 3).

Como todos os implantes foram instalados em corpo-de-prova de forma padronizada, pôde-se inferir que todos apresentavam estabilidades compatíveis. Entretanto, foi verificado que o uso de baixos torques nos transdutores repercutiu em leituras significativamente distorcidas. Após tabulação dos resultados e análise estatística, os pesquisadores verificaram que o torque ideal no transdutor do Osstell é de 10 Ncm. A equipe observou que todos os transdutores do grupo que recebeu o maior torque (20 Ncm) acabaram espanando e que torques inferiores a 6 Ncm obtiveram altas amplitudes dos intervalos de confiança.

Após a publicação deste estudo no periódico International Journal of Oral and Maxillofacial Implants no ano de 2019, estudos clínicos com avaliação de estabilidade dos implantes com o equipamento Osstell começaram a adotar o protocolo de torque nos transdutores com 10 Ncm. Neste cenário, a equipe da São Leopoldo Mandic, em parceria com pesquisadores da Ucla, se propôs a dar continuidade aos estudos ao fazer a comparação dos dois equipamentos para análise de frequência de ressonância comercialmente disponíveis (Osstell e Penguin).

Nesta segunda pesquisa, publicada no mesmo periódico em 2020, foi mostrado que o equipamento Penguin possui acurácia mediante um torque inferior no transdutor (5 Ncm). Ao verificarem este fato, os pesquisadores avaliaram a capacidade de pessoas de ambos os sexos (100 voluntários) conseguirem dar o torque requerido por ambos os sistemas apenas com a força gerada pelos dedos (10 Ncm para o Ostell e 5 Ncm para o Penguin). Os resultados mostraram que todos os voluntários eram capazes de alcançar um torque de 5 Ncm, porém apenas uma minoria conseguiu alcançar 10 Ncm. Com isso, os pesquisadores concluíram que, para efetuar mensurações de estabilidade com o equipamento Osstell, faz-se necessário o uso de um torquímetro; ao passo que para o equipamento Penguin apenas o uso da chave digital fornecida pelo sistema é o suficiente. Como o equipamento Osstell não disponibiliza uma chave adaptável para torquímetro, os pesquisadores sugerem que os seus usuários desenvolvam essa adaptação (como feito no estudo) para poderem efetuar mensurações de estabilidade com precisão.

As pesquisas do grupo estão voltadas para o dia a dia do clínico e o bem-estar do paciente. E, mais uma vez, fica patente a vocação da instituição para o desenvolvimento de pesquisas que quebrem paradigmas no âmbito da reabilitação oral.

Salatti DB, Pelegrine AA, Gehrke S, Teixeira ML, Moshaverinia A, Moy PK. Is there a need for standardization of tightening force used to connect the transducer for resonance frequency analysis in determining implant stability? Int J Oral Maxillofac Implants 2019;34(4):886-90.
https://bit.ly/3sNX5fD

Pelegrine AA, Kubo FMM, Salatti DB, Teixeira ML, Moshaverinia A, Moy PK. Can finger-generated force be used reliably to connect the transducer for resonance frequency analysis in determining implant stability? Int J Oral Maxillofac Implants 2020;35(6):1141-8.
https://bit.ly/3qcyfEE

Conteúdo disponibilizado pelo corpo docente da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, sob coordenação do Prof. Dr. Marcelo Napimoga.