A importância das soft skills na Odontologia
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A importância das soft skills na Odontologia

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Plínio Tomaz destaca 10 soft skills que considera mais importantes para o cirurgião-dentista.

O termo soft skills, de origem inglesa, é usado para se referir às habilidades comportamentais de uma determinada pessoa. Enquanto as chamadas hard skills dizem respeito às habilidades objetivas e técnicas, tais como a realização de uma sutura, a instalação de um implante ou o uso do software de gestão financeira de seu consultório etc., as soft skills estão mais associadas a atividades como o gerenciamento de tempo, liderança e autoconfiança.

As hard skills se aprendem com treinamentos, as soft skills estão mais relacionadas à educação e experiências de vida. Ambas são importantes e podem ser desenvolvidas. Na verdade, devem! Mas é improvável que alguém que não possui comportamento ético (soft skill) passe a ter tal competência depois de um curso de fim de semana. Por outro lado, aprender a fazer uma moldagem digital ou uma tomada de cor (hard skills) seria perfeitamente possível.

10 soft skills que considero mais importantes:

1. Liderança: saber orientar as atividades dentro de uma organização e comandar equipes sem causar danos colaterais. Levar a si mesmo e a equipe à alta performance com a coesão do grupo;
2. Mentalidade de crescimento: capacidade de aprender e se adaptar rápida e espontaneamente às mudanças. Buscar aperfeiçoamento contínuo e apetite pelo crescimento;
3. Inteligência emocional: praticar o autocontrole e equilíbrio com os colaboradores, superiores, parceiros e pacientes, mesmo em momentos de tensão. Capacidade de manter a serenidade e a postura profissional;
4. Autoconfiança: mostrar segurança em suas decisões e em sua comunicação, tanto com a equipe como com os pacientes;
5. Criatividade e inovação: capacidade de enxergar os desafios por diferentes ângulos e propor soluções que estão fora da rotina. Exercitar novas formas de realizar tarefas, aprimorar métodos em buscar melhores resultados por caminhos que ainda não haviam sido explorados;
6. Comunicação interpessoal assertiva: interpretar e trocar informações através da fala e da escrita. É a capacidade de se comunicar de maneira clara, agradável, facilitando a compreensão da mensagem;
7. Pensamento crítico: analisar e considerar os fatos e evidências com base em critérios objetivos e pertinentes, sem depender da opinião da maioria. Não se deixar influenciar ou manipular facilmente;
8. Proatividade: ter iniciativa própria. Realizar tarefas ou melhorias sem que seja acionado por algo ou alguém. É o contrário de ser reativo;
9. Organização do tempo e foco: ser produtivo e organizado. Saber gerenciar as prioridades. Manter a concentração na hora de trabalhar. Cumprir prazos e não deixar a procrastinação atrapalhar o fluxo de trabalho;
10. Consciência cultural: trabalhar e interagir com pessoas de diferentes culturas e credos, criando relacionamentos saudáveis e inclusivos.

Vale destacar que as soft skills listadas acima não estão organizadas por ordem de importância. Todas são essenciais.

Por que, muitas vezes, encontramos cirurgiões-dentistas cujo conhecimento técnico e as habilidades são excelentes, mas que encontram dificuldades na gestão de seus consultórios? A resposta está justamente no fato de que a capacidade técnica (hard skills) por si só não é mais capaz de garantir o sucesso do consultório.

Até um determinado patamar, tais habilidades técnicas são obrigatórias em todos os consultórios odontológicos para garantir um padrão mínimo de atendimento. Abaixo de tal patamar de capacidade, os pacientes passam a rejeitar os profissionais daquele consultório. No entanto, mesmo quando o nível de qualificação de um consultório está muito acima do patamar básico, em nível de excelência técnica, tal vantagem não compensa necessariamente as eventuais deficiências de um consultório em que os profissionais não desenvolveram suas soft skills de maneira adequada. Assim, possuindo excelentes cirurgiões, nenhuma clínica terá o seu valor reconhecido se os profissionais trabalharem mal em equipe, forem inseguros em suas decisões e incapazes de cumprir os prazos.

Portanto, em um ambiente onde existe nivelamento técnico, são justamente as soft skills que criam diferenciais, identificação com nossos pacientes e a admiração dos pares, equipe e da sociedade. Somente ao entender tal panorama é possível buscar um ponto de segurança dentro das competências humanas. Essa reflexão sobre o equilíbrio necessário entre hard skills e soft skills vale não apenas para o seu desenvolvimento pessoal, mas também para a sua equipe e até para quem possui filhos prestes a entrar no mercado de trabalho.

Por fim, para ajudar no desenvolvimento das soft skills, sugiro algumas práticas:

1. Estimule o senso de colaboração entre sua equipe. Crie tarefas que precisem ser feitas em conjunto, de modo colaborativo;
2. Incentive a comunicação entre as pessoas. Uma brincadeira que gosto de usar é fazer uma pessoa descrever um objeto à outra sem falar seu nome (igual àquele famoso vídeo do Silvio Santos com um garoto chamado Moisés, que não conseguia descrever uma raquete de tênis para que outras pessoas a desenhassem);
3. Incentive o bom relacionamento interpessoal. Uma forma de fazer isso é promovendo happy hours internos. Em minha empresa, fazemos comemoração mensal pelas metas atingidas, em um ambiente bem descontraído, fora do local de trabalho;
4. Pratique o “reco-reco”. Reconheça e recompense por bons comportamentos;
5. Crie uma cultura de feedback, em que as coisas são faladas abertamente entre empregadorempregado ou mesmo parceiros.

Agora que já sabe, monte um plano de ações específico para isso e se prepare para o futuro. Ou melhor, para o presente.

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Plínio Tomaz
Plínio Tomaz

Cirurgião-dentista; Coordenador e professor do MBA em Gestão de Clínicas Médico-Odontológicas – Fasam; Consultor sênior na Tomaz Gestão e Marketing.

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