Vacina: samba no pé ou pés no chão?

Vacina: samba no pé ou pés no chão?

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Editorial: mesmo em meio à pandemia, há otimismo entre os profissionais da Odontologia. Afinal, a vacina vem aí!

 

Na virada do ano, o Brasil ultrapassou a assombrosa marca de 200 mil mortes por conta da pandemia da Covid-19. São nossos familiares, amigos e também colegas queridos da Odontologia. É um momento difícil, principalmente porque sabemos que, a cada dia, ainda mais mortes estão por vir.

Junto com essa enorme tragédia humana, existe também uma grave crise financeira. Diante desses dois desafios de proporções gigantescas, o tom positivo de nossa matéria de capa sobre a expectativa de recuperação da Odontologia em 2021 pode soar estranho e até inapropriado. A explicação para o otimismo de nossos entrevistados é bem simples: a vacina vem aí.

A chegada dos primeiros imunizantes ao País, por si só, não vai resolver o problema, é verdade. Ainda será preciso cumprir o desafio logístico e mercadológico de levar duas doses dessa vacina a cada brasileiro, o que aparentemente não vai acontecer nesse ano, já que não foram adquiridas doses suficientes para tal. Não se trata, portanto, de uma solução definitiva para a retomada de nossas vidas, mas certamente é o primeiro passo em direção à saída desse túnel.

Somos profissionais de saúde e sabemos que somente com uma parcela significativa da população devidamente imunizada é que poderemos conter o avanço das infecções pelo SARS-Cov-2. Por isso, é importante que as autoridades responsáveis (tanto federais quanto estaduais) providenciem mais doses do que as projeções atuais e realizem rapidamente a sua aplicação.

No Brasil, dizem que o ano só começa depois do Carnaval. De certa forma, isso retrata uma face de nossa personalidade, que fica tentando adiar indefinidamente nossas responsabilidades, protelando o enfrentamento dos próprios problemas. Mas a pandemia não vai esperar: teremos mais mortes e mais estagnação econômica enquanto o problema não for enfrentado.

Como tudo na vida, a solução que temos em mãos para imunizar a população não é perfeita e nem vai cair do céu. Precisaremos trabalhar muito nos próximos meses, olhando para o futuro com otimismo, mas sem tirar os pés do chão, para ajudar a reconstruir não só a nossa Odontologia, mas também o País como um todo.