Três tecnologias para ficar de olho na Odontologia em 2020
O Google Glass foi um fracasso comercial. (Imagens: Depositphotos)

Três tecnologias para ficar de olho na Odontologia em 2020

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Tecnologias em 2020: realidade aumentada, inteligência artificial e cirurgias robóticas podem mudar profundamente a Odontologia.

Os acontecimentos em torno da Covid-19 são tão marcantes neste ano de 2020 que existe uma sensação de que nada mais está acontecendo no mundo. Mas não se engane. Enquanto todos os olhos do mundo estão voltados para a pandemia, existem outros importantes desenvolvimentos (novas tecnologias) em andamento que podem mudar profundamente a Odontologia como conhecemos, mais especificamente a Implantodontia e a cirurgia bucomaxilofacial.

Um bom exemplo está na adoção das novas tecnologias de realidade aumentada, inteligência artificial (IA) e cirurgias robóticas. Cada uma dessas tecnologias já existe há alguns bons anos, inclusive com aplicação comercial em outras áreas. Apesar da aura futurista, as primeiras aplicações já foram implementadas na Medicina e, em breve, devem chegar à Odontologia.

Realidade aumentada

Com o uso de uma câmera, um visor e um acelerômetro, como de um smartphone, essa tecnologia permite integrar elementos gráficos a qualquer ambiente. Quando bem usada, projeta uma camada de inteligência digital sobre a realidade com a qual interagimos. Um exemplo de sucesso conhecido do uso da realidade aumentada é o jogo Pokemon GO, lançado em 2016, que fez os jogadores do mundo todo saírem pelas ruas procurando e “capturando” os personagens da franquia.

A câmera também pode ser adaptada a um óculos, como a Google tentou fazer em 2012 com seu “Google Glass”, prometendo integrar sua gigantesca base de dados ao mundo real por meio do novo device. Infelizmente, a tentativa foi um fracasso comercial, mas a tecnologia se provou totalmente funcional. Tanto que a empresa está reformulando o Google Glass para relançá-lo em breve.

A realidade aumentada também já foi adotada por várias fabricantes como parte da solução da indústria 4.0. A brasileira Natura, por exemplo, usa a tecnologia para orientar seus funcionários a operar as máquinas com mais segurança e eficiência. Na área médica, os sistemas de realidade aumentada podem projetar qualquer informação sobre o paciente durante um procedimento cirúrgico, como imagens tomográficas ou qualquer informação que possa ser útil no tratamento.

Além de oferecer informações durante a cirurgia em si, ainda existem inúmeras possibilidades de usar a realidade aumentada no ensino e treinamento de profissionais, desde jovens recém-formados com procedimentos básicos, até os cirurgiões mais experientes com novas abordagens e técnicas mais complexas.

O game Pokemon GO é um exemplo bem-sucedido do uso da realidade aumentada.


Inteligência artificial

Essa tecnologia já foi exaustivamente retratada na ficção. O termo está banalizado por ser atribuído incorretamente a aplicações corriqueiras, ou desgastado por ser usado excessivamente. Basicamente, a IA consiste em sistemas que encontram alternativas para atingir seus objetivos por meio de repetições e aprendizagens.

Uma aplicação bem conhecida da IA na Medicina é na interpretação de exames radiológicos, com rapidez e precisão muito superiores à dos humanos. Para que isso aconteça, a máquina precisa passar por um período de treinamento para que aprenda a identificar os padrões. Além disso, sistemas como o IBM Watson são capazes de analisar milhares de artigos científicos e apontar as condutas com maiores chances de sucesso para o tratamento de uma determinada doença. Os resultados obtidos pelo computador, obviamente, dependem sempre de uma base de dados consistente. Quanto maiores e mais precisos forem os dados, melhor será a solução proposta pelo sistema.

A Medicina está só começando a arranhar a superfície da IA. As possibilidades são enormes. Quando chegar na Reabilitação Oral, não será diferente. Para que isso aconteça, os implantodontistas devem começar a montar bases de informações confiáveis e procurar oportunidades de colaborar com os cientistas de dados, para poder orientá-los nas questões clínicas mais relevantes, usando os dados corretos. Fica a sugestão para as universidades brasileiras.


Cirurgias robóticas

O sistema Da Vinci ajudou a popularizar a tecnologia de cirurgia assistida por robôs, consolidando-se como uma solução viável comercialmente, presente em hospitais espalhados por todo o mundo. Só no Brasil, ele está presente desde 2008 e estima-se que existam cerca de 50 unidades do equipamento.

Entre os sistemas de cirurgia robótica mais sofisticados, houve uma significativa evolução nas cirurgias de cabeça e pescoço, embora o desenvolvimento ainda esteja em seu estágio inicial. Com movimentos precisos, operando em áreas de difícil acesso, a robótica tem uma grande contribuição a dar para a Implantodontia e cirurgias bucomaxilofaciais.

A tecnologia está aí, à disposição. Assim como diversos outros equipamentos e tecnologias, o avanço da cirurgia robótica na Odontologia depende da capacidade da indústria de oferecer tais equipamentos a custos viáveis. Nesse quesito, até mesmo a Medicina ainda está sofrendo, então é provável que, dentre as três tecnologias, esta seja a última a chegar.