Osseodensificação: uma alternativa previsível para o levantamento de seio maxilar

Osseodensificação: uma alternativa previsível para o levantamento de seio maxilar

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A osseodensificação tem o objetivo de aumentar a densidade óssea por meio da compactação de autoenxerto e deformação plástica.

A exodontia de dentes na região posterior da maxila normalmente provoca uma significativa atrofia do rebordo alveolar, associada à pneumatização do seio maxilar. Nestes casos, o enxerto no interior do seio é necessário para criar volume ósseo vertical suficiente para a instalação de implantes com adequados diâmetro e comprimento, e estabilidade primária satisfatória1.

Tradicionalmente, dois procedimentos são indicados para essas situações clínicas: a elevação através da abordagem da janela lateral e a elevação indireta utilizando abordagem crestal2. A abordagem de janela lateral apresenta grande sustentação científica e resultados clínicos previsíveis, no entanto devemos considerar as desvantagens relacionadas à invasividade, morbidade do paciente e retardo na cicatrização, além do risco de seccionamento da artéria alveolar, da perfuração da membrana sinusal e de infecção pós-cirúrgica3-4. As técnicas de elevação indiretas, por sua vez, são consideradas menos invasivas, apresentam desfechos positivos com tempo cirúrgico reduzido e, muitas vezes, possibilitam a instalação do implante na mesma intervenção, entretanto o risco de perfuração da membrana, posicionamento inadequado do implante, deslocamento ou fratura óssea e até vertigem posicional paroxística benigna são relatos corriqueiros e, devido à reduzida visibilidade e limitação no acesso, a resolução destas intercorrências cirúrgicas tornam-se mais complexas5.

Nos últimos anos, uma nova técnica denominada osseodensificação foi introduzida com o objetivo de aumentar a densidade óssea por meio da compactação de autoenxerto e deformação plástica. Este sistema de preparação biomecânica preserva o osso em um processo de perfuração que utiliza brocas com geometria cônica, especialmente projetadas para expandir progressivamente a osteotomia enquanto condensa o osso em suas paredes laterais e apicais, aumentando a estabilidade primária do implante associando a um efeito elástico de acomodação (spring-back effect)6. Essa metodologia também pode elevar o assoalho do seio com mínimo risco de perfuração da membrana sinusal, visto que as brocas de osseodensificação são capazes de realizar instrumentação óssea no sentido anti-horário, possibilitando que o assoalho do seio possa ser penetrado pela solução de irrigação e por lascas de osso autógeno durante o processo de perfuração por compactação óssea não escavadora, gerando um descolamento hidráulico da membrana sinusal e sua subsequente elevação7.

Para cristas com altura vertical residual ≥ 5 mm a 6 mm (com largura mínima de 4 mm), que requerem aumento de altura de até 3 mm, o osso autógeno derivado da osteotomia é empurrado apicalmente, elevando a membrana do seio, permitindo a instalação de implantes sem a necessidade de enxerto adicional. Já nos casos que requerem aumento superior a 3 mm e que apresentam altura do rebordo alveolar residual < 5 mm (com largura mínima de 5 mm), após atingir o diâmetro final de osteotomia, deve ser realizado o preenchimento com substituto ósseo particulado para impulsionar apicalmente a membrana e facilitar a sua elevação8.

Além de minimizar o risco de perfuração e da possibilidade de ser indicada em situações clínicas com mínima altura óssea residual, a técnica da osseodensificação também aumenta a estabilidade primária dos implantes instalados. Diante do exposto, podemos considerar a osseodensificação como uma alternativa conservadora e segura para a instalação de implantes em áreas posteriores da maxila com limitada disponibilidade de altura óssea, desde que se respeite a importância do gradativo treinamento clínico.

Referências

  1. Carrao V, DeMatteis I. Maxillary sinus bone augmentation techniques. Oral Maxillofac Surg Clin N Am 2015;27(2):245-53.
  2. Bhalla N, Dym H. Update on maxillary sinus augmentation. Dent Clin North Am 2021;65(1):197-210.
  3. Wallace SS, Mazor Z, Froum SJ, Cho SC, Tarnow DP. Schneiderian membrane perforation rate during sinus elevation using piezosurgery: clinical results of 100 consecutive cases. Int J Periodontics Restorative Dent 2007;27(5):413-9.
  4. Testori T, Yu SH, Tavelli L, Wang HL. Perforation risk assessment in maxillary sinus augmentation with lateral wall technique. Int J Periodontics Restorative Dent 2020;40(3):373-80.
  5. Khehra A, Levin L. Maxillary sinus augmentation procedures: a narrative clinical review. Quintessence Int 2020;51(7):578-84.
  6. Huwais S, Meyer EG. A novel osseous densification approach in implant osteotomy preparation to increase biomechanical primary stability, bone mineral density, and bone-to-implant contact. Int J Oral Maxillofac Implants 2017;32(1):27-36.
  7. Huwais S, Mazor Z, Ioannou AL, Gluckman H, Neiva R. A multicenter retrospective clinical study with up-to-5-year follow-up utilizing a method that enhances bone density and allows for transcrestal sinus augmentation through compaction grafting. Int J Oral Maxillofac Implants 2018;33(6):1305-11. 8. Versah The Osseodensification Company. Instrução de uso das brocas e do sistema C-Guide Densah.