Você personaliza troquéis estéticos no laboratório? David Morita mostra como finalizar seus trabalhos livres de metal.
Na edição anterior, falamos sobre um aplicativo que ajuda na escolha das pastilhas e blocos cerâmicos mais adequados para cada caso clínico. Sem dúvida, trata-se de uma ferramenta muito útil, desde que o profissional forneça as informações fundamentais no processamento das combinações possíveis de cores e materiais. No entanto, existem casos desfavoráveis em que o desafio é ainda maior, quando dois ou mais elementos estão sendo trabalhados e, sem os devidos cuidados, terão cores diferentes. Como o laboratório pode prever esses resultados e evitar que isso aconteça?
As peças livres de metal sofrem influência da cor do substrato e, por esta razão, é preciso muita cautela quando estamos na fase de finalização dos trabalhos estéticos, sejam eles estratificados ou maquiados. Variações de espessuras entre os elementos, cores divergentes entre os substratos, diferenças de comprimentos entre os elementos do mesmo trabalho, entre outros fatores, podem interferir significativamente no aspecto final dos elementos, uma vez que o substrato interage com a cor da restauração após a instalação.
Vamos considerar duas facetas para incisivos centrais com substratos de cores diferentes, sendo que o elemento 11 tem cor do substrato A2 e o elemento 21 tem cor A1. No consultório, o cirurgião-dentista realizou os preparos de acordo com o recomendado para que a cor final dos dois elementos seja A1. Ou seja, desgastou um pouco mais o elemento mais escuro para que, no laboratório, o técnico consiga equacionar a cor entre os dois elementos. Considerando para o substrato mais escuro a escolha da cor da pastilha Multi BL2 (para um espaço de 0,7 mm), para conseguir que o elemento 11 tenha a cor final A1, teremos que usar a mesma pastilha para o elemento 21. Isto significa que, se o elemento 21 for finalizado com a mesma cor que o elemento 11, sem que sejam testados em um troquel estético individualizado, corremos o risco da cor final entre os dois elementos não estar em equilíbrio quando for feita a prova dos dentes, tornando a instalação frustrada.
Por isso, o troquel estético é tão importante para finalizar seus trabalhos livres de metal. Algumas empresas produzem materiais para este fim, permitindo que o substrato seja simulado no laboratório como uma ferramenta importante na finalização de tais restaurações. São resinas fotopolimerizáveis com uma variação de nove possibilidades de cores. Cabe aqui uma importante dica: quando o sistema não oferecer uma cor mais próxima da indicada pelo cirurgião-dentista, resinas autopolimerizáveis podem ser usadas.
A situação mencionada anteriormente, com incisivos centrais com demandas de cores diferentes, é relativamente comum nos laboratórios de prótese dentária. Nem todos os casos que precisamos resolver têm cores de substratos favoráveis e peças de espessuras homogêneas. Conforme já dissemos, a cor do substrato não é a única variável envolvida no processo. Se temos substratos de cores iguais e peças de espessuras diferentes, é possível que o resultado final seja insatisfatório se as peças não forem finalizadas com a ajuda dos troquéis personalizados, pois o substrato influenciará na cor final da restauração. A variação de espessuras entre as peças irá transmitir cores diferentes entre elas depois da instalação, salvo em casos em que o substrato acompanha a cor final da restauração. Por exemplo: substrato BL4, cor final BL4.
Fique atento a estas situações e adote os troquéis personalizados como parte de sua rotina nos trabalhos estéticos. A seguir, seguem exemplos da utilização dessa importante ferramenta na confecção de peças livres de metal.

Técnico em Prótese Dentária – Senac; Proprietário do Laboratório e Instituto de Treinamento David Morita; Segundo secretário da Assembleia Administrativa da SBO Digital.