Avaliação do comportamento mecânico de pilares protéticos mini cônicos de diferentes diâmetros sob ciclagem mecânica: estudo laboratorial

Luis Gustavo Soares Morales
Mestre em Implantodontia – Uningá (PR); especialista em Implantodontia e Periodontia – ABO – PI; especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial – FACIT – TO; professor de especialização em Implantodontia – ABO – PI.

Daniel Sundfeld Neto
Cirurgião-Dentista, Mestre em Materiais Dentários, Doutor em Clínica Odontológica (Dentística) – UNICAMP, Professor da Disciplina de Dentística, UEM. Professor e Coordenador, Especialização em Prótese Dentária no Centro Universitário Ingá – UNINGÁ.

Samira Salmeron
Cirurgiã-dentista, Mestre e Doutora (Periodontia) FOB-USP, Docente da Pós-graduação do Programa de Mestrado Profissional em Odontologia (Responsável pela área de Implantodontia) no Centro Universitário Ingá – UNINGÁ.
ORCID: 0000-0002-6677-5066.

 

DOI: https://doi.org/10.71440/2675-5610.10.5.25.680-685.art   

 

RESUMO

Objetivos: Comparar a eficiência funcional entre as diferentes plataformas (3,5 mm x 4,8 mm) de pilares sobre implantes. Materiais e Métodos: 18 próteses parciais fixas posteriores de três elementos (45-47) foram construídas em liga de cromo-cobalto, sobre implantes dentários Cone Morse 3,5 x 11 mm (Implacil De Bortoli). Dois grupos foram criados: R – abutments de 3,5 x 2,5 mm no elemento 45 e 4,8 x 2,5 mm no elemento 47; RA – abutments de 3,5 x 2,5 mm no elemento 45 e 4,8 x 2,5 mm (17 graus) no elemento 47, com torques recomendados pelo fabricante. O protocolo de ciclagem mecânica consistiu em 1 milhão de ciclos a 4 Hz, com 150 N axialmente sobre o elemento 46 na face oclusal, obtendo-se os valores iniciais e finais dos torques sobre os pilares. Resultados: O grupo R apresentou média de perda de torque nos pilares de 4,375% e de 38,75% nos parafusos protéticos. No grupo RA, a perda de torque dos pilares foi de 17,5% e de 32% nos parafusos protéticos. Conclusão: Ambos os diâmetros dos pilares apresentaram resistência adequada à fadiga; os parafusos da prótese no pilar de menor diâmetro tendem a soltar com maior facilidade. O pilar angulado (RA) mostrou ser mais facilmente removido e o torque de afrouxamento dos parafusos protéticos foi maior do que no grupo R, entre os diferentes diâmetros, sendo mais estreito com torque menor.

Palavras-chave: fadiga cíclica, implantes dentários, mini pilar cônico, prótese sobre implantes, torque.

 

Evaluation of the mechanical behavior of mini conical prosthetic abutments of different diameters under mechanical cycling – a laboratory study

 ABSTRACT

Objectives: to compare the functional efficiency between the different implant prosthetic abutment platforms (3.5 mm x 4.8 mm). Material and Methods: Eighteen 3-FPDs were cast in Cobalt-Chrome alloy involving elements 45 to 47 screwed over 3.5 x 11 mm Morse Taper dental implants (Implacil De Bortoli). In this way, two groups were created: R – 3.5 x 2.5 mm abutments (element 45) and 4.8 x 2.5 mm (element 47); RA – abutments of 3.5 x 2.5 mm (element 45) and 4.8 x 2.5 mm x 17-degree angulation (element 47), with torques recommended by the manufacturer. Mechanical cycling was performed for 1 million cycles at 4 Hz with 150 N axially over element 46 at the occlusal surface. Mean values of initial and final torque values were registered. Results: In Group R, a loosening torque of the abutments was found with an average loss of 4.375% and 38.75% in the prosthetic screws. In Group RA, the torque loss of the abutments was 17.5% and 32% of the prosthetic screws. Conclusion: Both abutment diameters have adequate fatigue resistance; the prosthetic screws in the smaller diameter abutment tend to loosen more easily. The angled abutment (RA) was more easily removed, and the loosening torque of the prosthetic screws was greater than in Group R among the different diameters, being narrower with lower torque.

Keywords: cyclic fatigue, dental implants, mini conical abutment, dental implant prosthesis, torque.

 

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